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A História

Uma das primeiras turmas com pais em 1995.
AMARE começou a partir de um ideal do jovem Johannes Skorzak, conhecido como João Alemão, nascido a 27 de abril de 1956 em Siegburg, Alemanha. Ele estudou teologia e filosofia em Bonn, Colônia (Alemanha) e Lucerna (Suíça) e concluiu os estudos com o mestrado em teologia (1980). Estagiou em Pedro II – PI, no semiárido piauiense, em 1980/81. Esta experiência o marcou tão profundamente que decidiu, um ano depois, migrar definitivamente para o Brasil. 
 
Tocado pela fome que o povo passava devido à seca e ao latifúndio, se dedicou integralmente ao trabalho social na periferia de Esperantina. Criou intercâmbio com organizações humanitárias alemãs para sustentar obras contra os efeitos da seca, como a reforma da igreja de Esperantina em 1983/84.
Em 1995, o governo incentivou a horticultura como aprendizagem para a subsistência.
João Alemão em 2017

Entre 1984 e 1986, Johannes mobilizou a comunidade para o mutirão habitacional em prol das vítimas das enchentes do rio Longá, que construiu o bairro Cristo Redentor. Um cenário o intranquilizava em especial: milhares de lavradores fugiam do campo, no início dos anos noventa, para a cidade. O desenraizamento de suas origens culturais e familiares resultava em carências, no embrutecimento da luta pela mera sobrevivência e deixava as crianças à mercê da própria sorte.

Surgiam as drogas que substituíam afeto por alucinação, irrompia a violência na conquista frustrada do reconhecimento, iludia a prostituição o desejo por amor. A entrada precoce de crianças no mercado de trabalho as fez abandonar a escola. Elas trabalhavam em carvoarias, lixões, no matadouro e nas ruas. 

Em 1990, Johannes fundou, com jovens, a Associação para o Bem-Estar do Menor Carente de Esperantina – AMARE, para combater essa tragédia.

As primeiras atividades aconteceram sob a sombra de cajueiros num terreno baldio da periferia de Esperantina. Sentados em cima de troncos de árvores, voluntários contavam histórias e ensinavam as tarefas escolares. O objetivo principal era saciar a fome das crianças e protegê-las dos riscos da rua. 

Durante 25 anos, a pedagoga esperantinense Sônia Maria Oliveira Amorim, exemplo de dedicação, acompanhou este ofício árduo diariamente como coordenadora socioassistencial.

Johannes angariou apoio na Alemanha, os primeiros foram Klaus Nickl, padre e amigo dos tempos de universidade, e a juíza Elisabeth Winkelmeier-Becker que, em 1996, criou em Siegburg, sua cidade natal, a Associação de Promoção a AMARE.

Nos anos noventa, vieram os médicos Martina e Bernhard Huschka com uma equipe de teatro infanto-juvenil Ohrwürmer, organizações ligadas à igreja católica e à fundação Rudolf Muno.

Johannes convenceu a sua conterrânea, a agora deputada federal alemã Elisabeth Winkelmeier-Becker, a visitar o Piauí em 20 de maio de 2008.  Eles conseguiram chegar até o governador da época, Wellington Dias, e levá-lo a visitar AMARE e apoiar a causa das crianças.  

Finalmente, em 2016, a organização criou o departamento de Mobilização de Recursos e começou aos poucos  a trilhar caminhos rumo à  independência, conquistando madrinhas e padrinhos na própria região. Esta decisão havia sido influenciada diretamente pelo primeiro seminário de planejamento estratégico no mesmo ano, moderado por representantes do Bairro da Juventude, de Santa Catarina, Ricardo Pieri e Anézio Luis de Souza.

Hoje, AMARE não é apenas uma instituição para a comunidade, mas é conduzida pela comunidade. O maior legado de João Alemão e de todos os apoiadores é o ciclo de liderança criado. Mais da metade dos colaboradores cresceu nos programas da instituição. Cada educador que foi assistido um dia se torna um farol de esperança para as novas gerações. Eles são a prova viva de que o acolhimento e o afeto da AMARE transformam vulnerabilidade em capacidade e liderança. Pois, a coordenadora da instituição de hoje, Ana Carla Borges Rodrigues, participou da primeira turma logo após a sua fundação.